
sexta-feira, 20 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
HISTÓRIA DO BATALHÃO
ACTIVIDADE NO C.T.I.G.
Fascículo 3 - Período de 01OUT69 a 31OUTT69
A - SITUAÇÃO GERAL
a. Durante o período, os limites do Sector sofreram considerável alteração, pela exclusão da região de ENXALÉ (a Leste do Rio MALAFO) e a inclusão da região de MANSABÁ. Assim, o Sector 04 passou a ser definido por:
MANSOA 6 O6-49-Lim Adm - MAQUE - TALICÓ - MORÉS (excl) - GUDANA (excl) - BISSANGE (incl) - MADINA MANDINGA (incl) - BINTA 8 H4-68 FARIM 2 B0-43 FARIM 2 E0-45 R.MANJAAMPOLO - FARIM 5 A4-79 - RIOFARIM - BAGADAGE (incl) - TENTO - SARE MUSSÁ - Foz R.FARACUNDA - R.CANJAMBARI - R.CAMBAJU - BANJARA 2 D0-60- - Lim Adm - MANBOMCÓ 9 A8-35 MAMBONCÓ 8 H8-20 -R.MALAFO - R.GEBA - TITA 6 C4-63 - Lim Adm R. MANSOA - R.UENQUEM - ASSELA ∆ (incl) - Lim Adm.
São consideradas Áreas de Intervenção do COMANDO-CHEFE as delimitadas Por:
- MANBONCÓ 3 10-20 - R. SUARENCUNDA - MAMBONCÓ 6 A3-47 - MAMBONCÓ 6 F0-43 - MAMBONCÓ 9 A8-35 - MANBONCÓ 8 G4-15 Lim Adm - MAMBONCÓ 5 D3-25 - MAMBONCÓ 5 D3-25 - MAMBONCÓ 5 B0-69 - NHIME (incl).
- BINTA 7 10-70 - R.OLOSSATO - Bolanha a Leste de GÃ QUEBO - BIJINE - CAI - SANTAMBATO - TALICÓ MORÉS (excl) - GUDANA (excl). (ver croqui das págs. 96 e 97.
b. As chuvas continuam a manter os rios muito caudalosos e a prejudicar a transitabilidade dos itinerários.
Durante o período, procedeu-se à desmatação dos itinerários JUGUDUL - BINDORO e SANSATO (MANSOA) - CUTIA.
c. No Sub Sector de MANSABÁ, agora incluído no Sector 04, podemos distinguir:
(1) Hidrografia
- Rio IONFARIM, com uma orientação geral Sudueste-Noroesta, ladeado por bolanhas, tornando praticamente inacessíveis as regiões de UÁLI e BAGADAGE
- Afluente do Rio MANJAMPOLO, correndo entre as estradas MANSABÁ - IONFARIM, com uma orientação geral Norte-Sul.
(2) Relevo
- Não tem significado
(3) Vegetação
- Áreas de palmeiras em toda a região a Sul do paralelo de MANSABÁ.
- Capim nas lalas.
- Arborização densa nas restantes zonas.
(4) Comunicações Rodoviárias
- MANSOA - MANSABÁ - FARIM, asfaltada até BIRONQUE;
- BISSORÃ - MANSABÁ - BANJARA - BAFATÁ
- MANSABÁ - IONFARIM.
(5) Pistas de aterragem
- MANSABÁ para aviões ligeiros
(6) Povoações e alimentos
- Apenas MANSABÁ, onde a população está sob controlo das Autoridades e com elas colabora abertamente.
(7) Recursos
- Algum comércio, arroz, mancarra. Algum milho e feijão, gado bovino e alguma caça.
2. Inimigo
a. No que respeita ao Sub Sector de MANSABÁ:
- Encontra-se instalado na região do MORÉS, com núcleos periféricos em SANTAMBATO e MANSODÉ e na zona de GENDO/BIRIBÃO a SUARECUNDA, passando por UÁLIA/CUSSARÁ e MANHAU.
- Utiliza como linhas de infiltração
- as variantes do “corredor” de SAMBUIÁ por
- COLI SARE - MANSODÉ - MORÉS
- SANSABATO - IRACUNDA - MORÉS
- as variantes do “corredor” de SITATÓ, a partir de GENDO, por
- BAMBAIA - MANHAU - SUARECUNDA - SARA
- CUSSARÁ - BUDUCO - SARA
- GENDO - MORÉS
- IONFARIM - MORÉS
-as variantes do “corredor” de LAMEL por
- BIRIBÃO -MADINA MANDINGA - MORÉS
- IONFARIM - BIRONQUE - MORÉS
- a ligação MORÉS - SUARECUNDA por MANBOMCÓ.
- Estão referenciados os seguintes efectivos:
- Na área do MORÉS
- 01 bi-grupo em MANSODÉ
- 01 bi-grupo em SANTAMBATO
- 01 unidade de armas pesadas
- Na área BIRIBÃO - UÁLIA
- 01 bi-grupo
- Na área de CANJAMBARI - BRIGMA
- 01 bi-grupo
- O In pode:
- Reagir à penetração das NT nas suas áreas de refúgio, emboscando, flagelando ou contra-atacando as NT.
- Levar a efeito acções violentas sobre as populações ou sobre o aquartelamento.
- Actuar sobre os itinerários, pela implantação de engenhos explosivos, combinada ou não com a montagem de emboscadas.
- Armadilhar zonas de acesso aos acampamentos.
- Infiltrar agentes de subversão junto da população.
b. Durante o período, o In flagelou os Destacamentos de ENXALÉ e de UAQUE, emboscou as NT na região de Cruz: de INFANDRE, reagiu a Forças de CUTIA que se encontravam emboscadas e raptou elementos da população do BINDORO na estrada JUGUDUL - BINDORO, roubando-as; os elementos raptados regressaram ao BINDORO na manhã seguinte.
- A população do BINDORO, aparentemente, parece poder considerar-se um pouco menos colaborante com o IN.
- A população de BRAIA continua a facilitar ao In as trocas de géneros, apesar das medidas tomadas pelas NT.
4. Nossas Tropas
- Em 23OUT69, com a inclusão do Sub Sector de MANSABÁ no Sector 04, passaram a depender operacionalmente do BCaç 2885 os seguintes efectivos:

- Em 29OUT69 chegou a MANSOA o Pel Mort 2172, destinado a render o Pel Mort 2004 que terminou a sua comissão.
- Em 31OUT69, depois de substituído o Pel Mort 2004, o Pel Mor 2172 ficou com o seguinte dispositivo:
- A Força Aérea executou acções de fogo na região de CHANGALANA e SARÁ, com resultados positivos, sobretudo no aspecto psicológico, segundo declarações de elementos apresentados e capturados.
- No aspecto Informações, continuaram a ser recebidas notícias em volume apreciável, confirmando-se o elevado grau de confiança de algumas origens.
- Além das numerosas emboscadas, sobretudo nocturnas, das frequentes escoltas e patrulhamentos e do patrulhamento diário das regiões de SANSANTO - CAMBANÇAS DE FALAN e da região do Cruz. De CUSSANJA, em que muitas vezes foram empenhados os pelotões de Melícias e Grupo Balantas, salientam-se as seguintes acções:



- Em 01OUT69, prolongando uma acção de Forças Paraquedistas, a CCaç 2588 (a 04 GComb) iniciou a operação “FARRONCA” que consistiu numa emboscada nocturna na região de CHANGALANA seguida do patrulhamento da zona que se estende até à estrada MANSOA - PORTO GOLE.
Esta acção revestiu-se de características especiais, pois as NT foram pela primeira vez, helitransportadas, tanto na colocação como na recolha.
Durante a noite, por nervosismo, uma sentinela abriu fogo, tendo atingido dois camaradas, um dos quais faleceu.
- Em 03OUT69, 02 GComb da CCaç 2587 patrulharam a região JUGUDUL BINDORO - DANA - UAQUE - ROSSUM, sem contacto.
- Em 05OUT69, 02 GComb da Caç 2587 realizam a Operação “FABELA”, patrulhando a região ROSSUM - GAMBIA - FINIBAQUE UAQUE, notando vestígios de cambaça do Rio MANSOA na região de BINIBAQUE.
- Em 06OUT69, 01 GComb da CCaç 2588, 01 GComb da CCaç 2589 e o Pel Mil 156 realizam a Operação “FÁBULA”, que consistiu no patrulhamento, com emboscada nocturna, da região do Cruz. De CUSSANJA - LOCHER.
- Em081915OUT69 o In flagelou o Destacamento de ENXALÉ, provocando um ferido grave na população. A reacção das NT provocou ao In um ferido grave, talvez um morto, não comprovado.
Na tarde do mesmo dia, na região de DATE, um grupo In de 08 elementos raptou 05 homens e 06 mulheres dos quais 03 homens e 03 mulheres conseguiram regressar.
- Em 10OUT69, desenrola-se a Operação “FALÁRICA”, empenhando a CCaç 2587 (a 01 GComb), 01 GComb da CCaç 2588, 01 GComb da CCaç 2589 e o Pel Mil 156, com a colaboração das Forças do COMBIS, batendo a região UAQUE - BINIBAQUE - GAMBIA - BISSORÃ - ENCHUGAL - ROSSUM.
- Em 13OUT69,inicia-se a Operação “VALENTE FOGUEIRA”, em que são empenhados 02 GComb da CCaç 2587, o Pel Mil 155 e o Grupo Balantas, em segurança aos trabalhos da desmatação do itinerário JUGUDUL - BINDORO. Términos em 17OUT69 sem que o In se tivesse manifestado.
- Em 16OUT69, Forças do Destacamento de CUTIA estabelecem contacto com um grupo In ao qual apreenderam algum material.
- Em 17OUT69, a CCaç 2589, empenhada na Operação “FAUSTOR”, escolta e fornece segurança descontínua a uma coluna, entre NHACRA - MANSOA - NAMEDÃO e itinerário inverso.
- Em 21OUT69, inicia-se a Operação “MATA VALENTE”, em que são empenhados 02 GComb da CCaç 2588, 01 GComb da CCaç 2589, o Pel Caç Nat 57 e o Grupo Balantas, em segurança aos trabalhos de desmatação (primeira fase) da estrada MANSOA - MANSABÁ até ao limite do Sector. A Operação vem a terminar em 02NOV69 sem contacto com o In.
No mesmo dia, numa rusga efectuada nas tabancas de BINDORO, é detido um elemento In, desarmado, que tomou parte nas acções In de CUSSANJA, UAQUE e BINDORO. A importância das declarações que, sem coacção, começou a produzir, deram origem a uma evacuação para o Escalão Superior, a solicitação deste.
- Em 23OUT0001OUT69, o Batalhão de Caçadores 2885 assume a responsabilidade do Sub Sector de MANSABÁ, até essa altura integrado no Sector 03.
- Em 24OUT69, 01 GComb da CCaç 2589 e o Pel Caç Nat 62, levam a efeito a Operação “FILÁRIA”, segurança descontínua e pictagem da estrada MANSOA -NAMEDÃO.
Na mesma data, a CCaç 2403 (MANSABÁ) empenha 02 GCom Operação “FERMENÇA”, escolta de uma coluna entre MANSABÁ - BISSAU - MANSABÁ.
- Em 26OUT69, o Pel Caç Nat 54 que reforçava a Guarnição de PORTO GOLE, deixa de fazer parte das Forças do Sector 04, seguindo para o XIME.No mesmo dia, um grupo In com cerca de 15 elementos embosca, na região do Cruz. De INFANDRE, uma coluna de reabastecimento daquele Destacamento provocando um ferido ligeiro (elemento da Auto-Defesa de INFANDRE).
NOTÍCIAS

Leonel Costa foi eleito, por unanimidade, presidente da Associação de Combatentes do Concelho Arganil, ao encabeçar a única lista apresentada em assembleia-geral.
O tesoureiro da direcção cessante agradeceu a “confiança e esperança que depositaram em mim”, sublinhando ao mesmo tempo que não iria fazer promessas de maior. “Não vou prometer que vou fazer melhor ou pior que o presidente que vai cessar actividade”, disse, vincando sim que “a única coisa que posso prometer é trabalho”. Nas suas palavras, continuará a empenhar-se, conforme o fez no seu anterior cargo e reiterou que tudo fará para que a sede seja inaugurada no mês de Agosto e que os eventos continuem a ser promovidos. Leonel Costa aproveitou o momento para dirigir palavras de apreço ao presidente cessante, José Carlos Ventura (presidente da assembleia-geral nos novos corpos gerentes), recordando que se não fosse ele, não teria existido o Núcleo de Combatentes, não existiria a actual Associação e não haveria sede e outras acções praticadas pelo grupo. “Tudo o que se tem feito aqui deve-se ao Zé Carlos”, enalteceu.Será durante o mandato de Leonel Costa que se irá inaugurar a sede da Associação, presumindo-se que poderá acontecer já em Agosto deste ano, faltando, neste momento, 8 mil euros para terminarem as obras de requalificação de sede, a antiga Casa do Cantoneiro. De resto, para o ano corrente, o plano de actividades será idêntico ao do ano anterior, sempre com o objectivo de continuar a divulgar e promover a instituição, através da realização de vários eventos.
Como presidente da assembleia-geral, Abel Fernandes (primeiro secretário da assembleia geral nos novos corpos gerentes) regozijou a lista eleita, considerando ser constituída pelas “pessoas perfeitas”, capazes de levar a cabo a conclusão da sede e restantes actividades da Associação. Falando em particular de Leonel Costa elogiou a sua actividade na Associação, afirmando mesmo ser um “obreiro”, cuja acção tem sido fundamental nas obras da sede. Sobre a direcção cessante, elogiou o “rigor, força e alma própria” apresentados durante o mandato, proporcionando em dois anos, a realização de vários eventos, que, na sua opinião, são garantes do futuro da Associação. Acerca do presidente cessante, lembrou que este “foi o pai da Associação”. Teve ainda uma palavra para os membros do conselho fiscal, congratulando-se pela continuidade dos mesmos nos novos corpos sociais, visto que “os contributos que deram estão à vista”.
Doravante a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil estará associada à Federação Portuguesa das Associações de Combatentes. Uma adesão aceite por todos, cuja jóia de inscrição é de 200 euros (valor assegurado por membros da direcção) e 60 euros anuais. Nas palavras de Manuel Silva, secretário da direcção cessante (cargo que dirige nos novos corpos gerentes), a integração na Federação vai permitir que entidade do concelho arganilense esteja devidamente representada, podendo trabalhar para os fins que foi constituída, a união e ajuda a combatentes. Recorde-se que para a Associação de Arganil podem ser sócios todos os ex-combatentes, que combateram em qualquer parte do mundo, actuais militares e membros da GNR e PSP.
quarta-feira, 18 de março de 2009
HISTÓRIA DO BATALHÃO
(1) Acabar com o In na ZA, aniquilando-o, capturando-o ou, no mínimo, expulsando-o em todas as zonas em que se venha a revelar.
(2) Impedir os movimentos do In, quer logísticos, quer operacionais, em especial sobre os acessos à região do BINDORO e ROSSUM, quer vindos do LOCHER - CHANGALANA, quer da região de ENCHEIA
(3) Garantir a liberdade de movimentos nos itinerários:
- NHACRA - MANSOA, até aos limites do seu Sector e
- JUGUDUL - BINDORO.
(4) Exercer desde já um esforço de Acção Psicológica, em especial sobre as populações do BINDORO e ROSSUM, por forma a subtraí-la à influência com o In da área e anular a sua vontade de colaboração com o In.
(5) Assegurar a defesa, vigia e conquista a total colaboração das populações sob o seu controle, em especial as dos reordenamentos de ROSSUM e BINDORO.
(6) Detectar prontamente a actividade In, bem como a atitude e o comportamento das populações em qualquer ponto do sector, patrulhando, reconhecendo, batendo a totalidade da ZA, cobrindo-a com um sistema eficiente de informações, em especial na região do BINDORO, BARÁ, QUIBIR e DANÁ e antigas tabancas na margem esquerda do Rio MANSOA.
(7) Por desde já em prática as medidas de controlo das populações nos núcleos reordenados de ROSSUM, UAQUE, JUGUDUL e BINDORO.
(8) Assegurar a defesa eficiente da Ponte de UAQUE e Destacamento de UAQUE, JUGUDUL, ROSSUM e BINDORO e o seu socorro em caso de necessidade e a capacidade de reacção oportuna, em especial ROSSUM e BINDORO.
(9) Mentalizar e prepara para a auto defesa as populações dos reordenamentos de ROSSUM, UAQUE, JUGUDUL e BINDORO.
(10) Garantir a defesa das populações nos trabalhos agrícolas, em especial nas áreas de cultura nas antigas tabancas na margem esquerda do Rio MANSOA e região do BINDORO
Companhia de Caçadores Nº 2588
(1) Exercer o esforço operacional no sentido de:
- Garantir a segurança efectiva e permanente aos trabalhos de desmatação na estrada JUGUDUL - PORTO GOLE, eliminando as possibilidades do In exercer acções de flagelação, e implantação de minas e armadilhas nos locais de trabalho mesmo durante a noite.
- Manter a ligação entre MANSOA - PORTO GOLE até aos limites dos seu sector e em coordenação com a CArt. 2411.
- Estender as acções de patrulhamento para Norte da estrada de JUGUDUL - PORTO GOLE, em direcção a CHANGALANA.
(2) Executar uma intensa acção de patrulhamentos e emboscadas. Em especial entre CUSSANJA e o cruzamento da estrada JUGUDUL - PORTO GOLE e a picada de CHANGALANA e na região do POLIBAQUE, com o fim de:
- Fazer prisioneiros que permitam detectar a localização das bases e actividades do In, em especial na região de CHANGALANA.
- Cortar ao In os acessos a possíveis locais de instalação das suas armas pesadas de apoio com a missão de flagelar MANSOA.
- Impedir os movimentos, quer logísticos, quer operacionais para o “CHÃO BALANTA” ou para Oeste em direcção a NHACRA e aos Destacamentos situados ao longo da estrada BISSAU - MANSOA.
(3) Garante a liberdade de movimentos, em especial no itinerário JUGUDUL - PORTO GOLE até aos limites da sua ZA.
Companhia de Caçadores Nº 2589
(1) Acabar com o In na sua ZA, aniquilando-o, capturando-o ou no mínimo, expulsando-o, em especial na região do CUBONGE.
(2) Exercer uma intensa acção de patrulhamentos e emboscadas, em especial nas cabanças do Rio UENQUEM, região de NHAÈ e cabanças do Rio BRAIA (FALAN) e região de SANSANTO, com o fim de:
- Impedir os movimentos do In, quer logísticos, quer operacionais, entre as bases de MORÉS e QUERÉ.
- Cortar ao In os acessos a possíveis locais de instalação das suas armas pesadas de apoio com a missão de flagelar MANSOA.
(3) Garantir a liberdade de movimentos nos itinerários:
- MANSOA - BISSORÃ, até NAMEDÃO
- MANSOA - MANSABÁ, até ao limite da sua ZA
(4) Exercer desde já um esforço de Acção Psicológica, em especial sobre as populações de MANSOA, INFANDRE e BRAIA, por forma a subtraí-las à influência Inimiga da área e anular a sua vontade de colaboração com o In.
(5) Assegurar a defesa, vigia e conquista a total colaboração das populações sobre o nosso controle, em especial as de MANSOA e dos reordenamentos de INFANDRE, BRAIA e CUTIA.
(6) Tomar desde já medidas de segurança relativas a prováveis objectivos a acções de terrorismo selectivo e de sabotagem em MANSOA.
(7) Assegurar a defesa eficiente da Ponte de BRAIA e Destacamentos de INFANDRE, BRAIA e CUTIA, o seu eventual socorro em caso de necessidade e a capacidade de reacção oportuna, em especial da Ponte de BRAIA e INFANDRE.
(8) Mentalizar e prepara para a auto defesa as populações dos reordenamentos de INFANDRE, BRAIA, CUTIA.
(9) Por desde já em execução medidas de controlo das populações em MANSOA e nos reordenamentos de BRAIA, INFANDRE e CUTIA.
(10) Garantir a segurança das populações nos trabalhos agrícolas, em especial nas áreas de cultura nas tabancas abandonadas a Este do Rio UENQUEM.
(11) Assegurar a defesa de MANSOA e da Ponte do Rio MANSOA, em colaboração com as restantes Forças da guarnição.
Companhia de Artilharia Nº 2411
(1) Acabar com o In na sua ZA, aniquilando-o, capturando-o, ou no mínimo, expulsando-o, em especial na região do “CHÃO BALANTA” e matas a Norte de SEÉ.
(2) Exercer o seu esforço operacional no “CHÃO BALANTA”, em especial nas regiões do MALAFO, BESSUNHA, CHUBI e NAFO - COLICUNDA, patrulhando e montando emboscadas que permitam impedir os movimentos do In, quer logísticos, quer operacionais, entre a região do SRÁ - MANTÉM - MADINA e a margem esquerda do Rio GEBA.
(3) Garantir a liberdade de movimentos no itinerário JUGUDUL - PORTO GOLE - ENXALÉ até aos limites da sua ZA.
(4) Exercer desde já um esforço de Acção Psicológica, em especial sobre a população do “CHÃO BALANTA” por forma a subtraí-la à influência In na área e anular a sua vontade de colaboração com o In.
(5) Assegurar a defesa, vigia e conquista a total colaboração das populações sob o seu controle, em especial as dos ordenamentos de BISSÁ e ENXALÉ.
(6) Estender a sua actividade de patrulhamentos para Norte do PORTO GOLE em direcção ao SARÁ.
(7) Por desde já em prática medidas de controle das populações nos núcleos reordenados de BISSÁ, ENXALÉ e PORTO GOLE.
(8) Assegurar a defesa dos Destacamentos de BISSÁ, EXALÉ e PORTO GOLE e seu eventual socorro em caso de necessidade e a capacidade de reacção oportuna, em especial BISSÁ.
(9) Mentalizar e prepara para a auto defesa as populações dos reordenamentos de BISSÁ, PORTO GOLE e ENXALÉ.
(10) Garantir a segurança das populações nos trabalhos agrícolas, em especial nas áreas de cultura de BISSÁ e ENXALÉ e terrenos marginais do Rio BELUNJA.
(11) Assegurar a utilização do porto e pista de PORTO GOLE e porto de ENXALÉ.
c. Modo de actuar em face do terreno e do In
(1) Face ao terreno: - as bolanhas existentes no Sector, bem como os cursos de água, nomeadamente na época chuvosa, condicionam de certo modo a actuação das NT.
(2) Face ao In: - o sistema de vigilância que o In mantém em permanência, faz denunciar muitas vezes os movimentos das NT quaisquer que sejam as medidas tomadas, e em especial para objectivos longe do P.I.
d. Dispositivo
(1) O dispositivo inicial em 141145MAI69, data e hora em que o BCaç. 2885 assumiu a responsabilidade do Sector 04, era:

(2) A partir de 18JUN69, por ter sido extinta a Polícia Administrativa, os elementos deste serviço no Sector deixam de reforçar este.
(3) Em 24JUN69, em face de nova missão prioritária atribuída, o BCaç. Reforça o Sector da CArt. 2411, pelo que o dispositivo sofre as seguintes alterações:

(4) em 20AGO69, a CCaç. 2589 retoma o dispositivo citado em (1); a CCaç. 2587 fica com o seguinte dispositivo

- O moral das tropas, durante o período, é francamente bom, podendo até considerar-se em melhoria progressiva à medida que as NT se vão familiarizando com o terreno e o modo de actuação do In. A praticamente nula sobreposição com as forças que anteriormente se encontravam em Sector, deixando as NT entregues a si próprias em 24 horas, sobretudo as Tropas destacadas, em nada afectou o seu mural. As emboscadas sofridas pelas Forças destacadas em INFANDRE, respectivamente em 15 e 17 de Maio de 1969, um e três dias após a sua instalação naquele Destacamento, contribuíram apreciavelmente para a manutenção desse moral, dado que não causaram baixas e incutiram a confiança que os primeiros êxitos - retirada precipitada do In - inspiraram.
Em virtude da necessidade de desenvolver uma intensa actividade que, num período curto, permitisse o conhecimento do terreno e do In do Sector, e do “choque” que todo o pessoal sofreu com a mudança de clima, a situação sanitária sofreu uma quebra, apreciável a partir da 2ª quinzena de Julho de 1969, afectando sobretudo a CCaç. 2588, que em 9 de Agosto tinha 49% do sue pessoal fisicamente diminuído, segundo resultado obtido pela inspecção médica a que foi submetida.
A partir de 24JUN69 o esforço que foi necessário desenvolver na zona marginal do GEBA, que obrigou a um reforço da ZA da CArt. 2411 à custa de efectivos da CCaç. 2587 e 2589, veio contribuir para a situação sanitária da CCaç. 2588, que teve de ser empenhada não só na sua ZA como na da CCaç. 2589.
- Logisticamente, a inexistência de sobreposição e a consequente necessidade de desenvolver uma actividade operacional intensa, a dificuldade de meios de transporte capazes e suficientes para prover às necessidades operacionais e de reabastecimento dos vários Destacamentos e o facto de os níveis, em géneros, na sede do Batalhão e Companhias se encontrarem praticamente reduzidos a zero, causaram perturbações graves durante um período apreciável. A situação foi-se regularizando a pouco e pouco, sem quebra da actividade operacional. No entanto, os já deficientes meios de transporte, acusaram o esforço exigido, e a notária falta de sobresselentes, impedindo a recuperação daqueles meios em tempo oportuno, fizeram agravar a situação.
Com o fornecimento de algumas viaturas tipo “UNIMOG” em 26 de Julho de 1969, a situação melhorou ligeiramente; continua no entanto a ser muito deficiente, sobretudo pela carência de viaturas tipo “pesado”, uma vez que todo o reabastecimento do Sector (exceptuando o destinado a PORTO GOLE, BISSÁ e ENXALÉ) é feito com os meios próprios do Batalhão a partir de BISSAU
f. Objectivo da actividade desenvolvida
A actividade das NT visou o conhecimento, tanto quanto possível exacto e rápido, do terreno e valor do In no Sector, e a destruição deste ou interdição dos seus movimentos, ao mesmo tempo que se procurou ganhar a confiança das populações.
Além das numerosíssimas emboscadas, sobretudo nocturnas, patrulhamentos, reconhecimentos e escoltas, as seguintes operações:

B - ACTIVIDADES
- Em141145MAI69 o BCaç. 2885 assumiu a responsabilidade do Sector 04.
Notícia B-2 refere que o In da Base “QUERÉ” prepara uma flagelação a MANSOA, possivelmente nos dias 17 ou 18, a partir da região de QUENHAQUE.
- Em 15Mai69, Forças do Destacamento de INFANDRE sofrem uma emboscada, sem consequências, na região do cruz. INFANDRE.
São patrulhadas as regiões de QUENHAQUE - INJASSE, imediações da estrada BRIA - NAMEDÃO e bolanha a W de BINDORO.
- Em 16Mai69, patrulhadas as regiões de NHAÈ - INQUIDA, QUENHAQUE - INJASSE e QUIBIR.
- Em 17MAI, Forças do Destacamento de INFANDRE sofrem uma emboscada, sem consequências, na região do cruz. INFANDRE.
No mesmo dia forças da CCaç. 2589 com um Gr Balantas executam um Golpe de Mão na região 3 Km a Norte de DAMÉ, destroem um acampamento In com 20 casas, causam um ferido provável ao In que se manifestou após a acção. As NT sofrem um ferido ligeiro (Gr Balantas).
- Em 19MAI69, a CCaç. 2588 e Gr Balantas executam uma batida na região NAMEDÃO - MADANE - SINRE, destruindo 4 casas e recuperando 13 elementos da população.
- Em 23MAI69, um GComb. Da CCaç. 2588 e Pel. Melícias 155, numa emboscada nocturna na região do cruz. CUSSANJA, detiveram dois homens.
- Em 24MAI69, um GCom. Da CCaç. 2588, o GComb. da CCaç. 2589 e Pel. Mil. 156 escoltaram entre NHACRA - MANSOA - NAMEDÃO e volta uma coluna de reabastecimento a OLOSSATO.
Na tarde de 24MAI69, a CCaç. 2589 e o Gr Balantas montam emboscadas nocturnas nas regiões de ENCOME, NAMEDÃO e cambanças do FALAN.
- Em 25MAI69, o Pel. Mel. 156 e o Gr Balantas, perseguem um grupo de 10 mulheres recuperadas que haviam fugido, abatem dois In; as mulheres não foram capturadas.
- Em 27MAI69, um GComb da CCaç. 2588 e o Pel. Mel. 155 escoltam a coluna de reabastecimento a OLOSSATO, entre NHACRA - MANSOA - NAMESÃO e volta.
Na noite de 27/28, um tiro isolado In sobre o Destacamento de CUTIA feriu gravemente um soldado da CCaç. 2589 que faleceu posteriormente no Hospital.
- Em 29MAI69, notícia B-2 refere a presença de um grupo IN nómada no palmeiral a Norte de DAMÉ.
- Em 01JUN69, forças do Pel. Caç. Nat. 57/CCaç. 2589 destroem canoas no Rios BRAIA.
- Em 030430JUN69, a CCaç. 2588, CCaç. 2587 (-), CArt. 2411 (-), Gr Balantas e Pel. Mil. 155 iniciam a Operação “CAMINHO LARGO”, que consiste numa batida da região CUSSANJA - LOCHER - CHANGALANA - PORTO GOLE - BISSÁ.
Num primeiro contacto a Leste do LOCHER, o In provoca dois feridos (Gr Balantas). Pelas 21 horas, o In ataca em força, causando 10 feridos ás NT, e sofre baixas prováveis. A Operação termina em 050500JUN tendo as NT levantado 5 minas sobre a estrada MANSOA - PORTO GOLE.
Notícia C-3 refere a chegada de muito armamento In ao MORÉS.
- Em 07JUN69 o BCaç. 2885 concentra-se em MANSOA para a cerimónia de boas vindas a que preside Sua Exª o Comandante Chefe.
- Na noite de 8/9JUN69 o In accionou uma armadilha das NT e fez três tiros de morteiro 82 sobre o destacamento de CUTIA, sem consequências.
As NT reagiram por fogo; de madrugada efectuaram uma batida, localizaram uma grande mancha de sangue e outros vestígios de sangue, que fazem admitir te o In sofrido um morto e alguns feridos. Foram recolhidos um carregador de KALASHNOKOV com munições e uma granada de Morteiro 82.
- Em 09JUN69, uma notícia refere a existência de casas na região a Norte de SINRE. Num golpe de Mão lançado na noite de 9/10 por dois GComb. Da CCaç. 2589 e Gr Balantas, são destruídas 12 casas de mato recém abandonadas.
- Em 10JUN69 a CCaç. 2589 (-), dois GComb. Da CCaç.2588, Pel. Mel. 156 e Gr Balantas montam uma série de emboscadas na margem esquerda do Rio BRAIA, entre GÃ-FARÁ e BENIFO, acções estas, combinadas com uma batida na margem direita do mesmo Rio. Em 11 foi abatido um In, recuperadas 6 pessoas, destruídas 6 canoas grandes e 3 pequenas. No regresso, numeroso grupo In ataca as NT mas retira logo que iniciada a perseguição, que não resulta.
- Em 12JUN69, dois GComb. Da CCaç. 2588, um GComb. Da CCaç. 2587 e Gr Balantas, montam segurança à abicagem da LDM em PONTA BARÁ, para reabastecimento de BISÁ. Em 13 o In revela-se à distância, fazendo fogo de reconhecimento. As NT não reagem, deslocando-se para nova posição e ficam emboscadas até 140700, e assim, a Operação tomou o nome de “FOGAÇA”.
- Em 14JUN69 tem início a Operação “GRANDE PASSADA”, em que tomam parte a CCaç. 2589 (-), um GComb. Da CCaç. 2587, o Pel. Mil. 156 e Gr Balantas e que termina em 16JUN. As NT são emboscadas por um grupo In que retira quando perseguido; é destruído capim cortado destinado à cobertura de casas.
- Em 17JUN69, a CCaç. 2588 ref. c/Gr Balantas, e a CArt. 2411 (-), iniciam uma acção visando a patrulhamento da estrada MANSOA - PORTO GOLE. A acção termina em 18, tendo sido detectado um grupo In em fuga; posteriormente outro grupo In mais numeroso flagelou as NT e retirou após o movimento de manobra; na batida que se seguiu, as NT recolheram uma Granada de LGrFOG e detectaram uma mina A/P.
- Em 181950JUN69, um grupo In flagelou o Destacamento de BRAIA durante 10 minutos com tiros de Morteiro 82, LGrFog e Armas automáticas ligeiras. O In retirou à reacção de Guarnição de BRAIA, apoiada por Artilharia de MANSOA. Notícia C-3, colhida em 24JUN, refere que esta flagelação foi feita por IN vindo do MORÉS; que o tiro de Obus foi ligeiramente curto mas que foi o suficiente para suspender o ataque que devia ter a duração de uma hora.
- Em 21JUN69, uma notícia C-2 refere a intenção In de atacar MANSOA na noite de 21/22, a partir de BENIFRO, e a intenção também de atacar CUTIA.
No mesmo dia, as NT BINDORO (CCaç. 2587), emboscadas a SE de BINDORO detiveram 4 homens, destruíram 2 canoas, recolheram 6 sacos de arroz de semente.
- Em 22JUN69, uma notícia C-3 refere a intenção In de atacar MANSOA nos próximos dias, utilizando Canhão S7R e Morteiro.
- Em 23JUN69, dois GComb. da CCaç, 2588 ref. c/uma Esq Morteiro 81/Pel. Mort. 2004, uma Sec do Pel. Mil. 155 e o Gr Balantas tentam um Golpe de Mão na região a Norte da antiga povoação do OLOM. O objectivo não foi localizado: foram vistos dois In a grande distância, destruídas duas canoas e uma casa e levantada uma mina A/P na cambaça de QUENTIÓ.
- Em 24JUN69, por ter sido atribuída ao BCaç., como missão prioritária, uma intensa acção de Contra Penetração na zona marginal do Rio GEBA, o Comando decide remodelar o dispositivo (que passa a ser o constante de 4. d. (3) - Pág. 68 reforçando a CArt. 2411.
Notícia C-3 de hoje, refere a intenção In, de QUERÉ e MORÉS, de atacar MANSOA até fins de Julho, pelo que alguns elementos estiveram em QUENHAQUE a verificar a iluminação do Quartel de MANSOA e a estudar o local de instalação das suas armas.
- Em 25JUN69. dois GComb. Da CCaç. 2589, um GComb. Da CCaç. 2588, duas AML e Pel. Mil. 155 fornecem escolta a uma coluna de reabastecimento a OLOSSATO.
- Em 26JUN69, notícia B-2 refere a intenção In de atacar MANSOA e CUSSANÁ.
Na ZA da CArt. 2411 inicia-se intensa actividade, por patrulhamentos e emboscadas, em colaboração com um Destacamento de Fuzileiros, visando o cumprimento da missão de Contra Penetração já mencionada.
Em 27JUN69, um GComb. Da CCaç. 2588 ref. c/uma Sec da CCaç. 2589 e uma Sapadores, em patrulha na região de QUENHAQUE, que armadilhou, recuperou 4 homens e 2 mulheres e destruiu 7 casas.
- Em 29JUN, um GComb. Da CCaç. 2587, um GComb. Da CCaç. 2588 e Pel. Mil, 155 montam segurança à abicagem da LDM para reabastecimento a BISSÁ.
- Em 01JUL69 Forças da CCaç. 2589 emboscadas na região de UANQUELIN perseguiram um grupo In que transitava em direcção ao CUBONGUE: foi apreendida uma lâmina com 7 cartuchos e um cantil.
- Em 02JUL69, dois GComb. Da CCaç. 2588 e Gr Balantas, destruíram 10 casas na região de CUBONGUE - DAMÉ.
- Em 04LUL69, a CCaç. 2588 ref. Com o Gr Balantas, iniciou a Operação “CARA LINDA”, que consistiu numa rede de emboscadas na região entre SINFRE e BENIFO, em conjugação com a Operação “SAFO” (acção helitransportada, com forças Paraquedistas, na região TALICÓ - MADINA). Detectado um grupo In, foi abatido um homem e ferido dois. O In provocou às NT um morto (balanta) e dois feridos.
A Operação terminou em 05JUL tendo sido recuperadas três mulheres e duas crianças.
- Em 12JUL69, Forças de CCaç. 2589 perseguiram sem resultado, um grupo In que, após ter roubado vacas da população de INFANDRE (que haviam ficado longe da tabanca), fez dois tiros de Morteiro 82 sobre o Aquartelamento.
Na mesma data, Forças de CCaç. 2589 e da Art.. 2411, em colaboração com a DFE 7 (Dest. Fuzileiros) destruíram 5 casas e vários utensílios de fabricação de sal nas margens do Rio BARADOULO, verificando que a ponte sobre este Rio tinha sido parcialmente destruída.
- Em 14JUL69, notícia C-2 refere que durante a Operação “SAFO” (3/4JUN) os Heli-armados provocaram bastante baixas ao In. Na mesma data, notícia B-2 refere que o Heli-armado e as Tropas que actuaram na Operação “CARA LINDA” provocaram ao In três mortos e vários feridos
Na mesma data ainda, notícia C-3 refere que normalmente, em cada Base In do MORÉS e SARÁ, permanecem 8 cubanos, que nesta altura foram para o Senegal para serem rendidos por outros. Ficaram no MORÉS dois cabo-verdianos e um macanha, e no SARÁ apenas um cabo-verdiano.
- Em 15JUL69, dois In armados assaltaram na estrada BRIA - INFANDRE um homem e dois rapazes que negociavam em panos. Um dos rapazes foi raptado. As NT avisadas pelo outro rapaz, fizeram uma batida na área, encontrando o homem, que também conseguira fugir.
- Em 17JUL69, um GComb. Da CCaç. 2589 reforçado com uma Sec de Sapadores seguindo rastos verificados na região de CUBONGE, encontrou o corpo do rapaz raptado em 15, que havia sido abatido com três tiros.
No mesmo dia, um informador declara conhecer a localização da Base In do QUERÉ e estar disposto a acompanhar as NT.
Em 18JUL69, a CCaç. 2588, um GComb. Da CCaç. 2589, um GComb. da CArt. 2411, o Pel. Caç. Nat. 54, o Pel. Mil. 156 e o Gr Balantas iniciam a Operação “FELIZ OFÉLIA”, que consistia numa acção, conjugada,, de batida na região do LOCHER - CHANGALANA, com o estabelecimento de ligação entre Forças saídas de MANSOA, de PORTO GOLE e de BISSÁ. Depois de levantadas duas minas A/P, foi detectada uma terceira que veio a ser accionada por um homem do Pel. Mil. 156 no momento em que o In, emboscado, se revelou na região MAMBONCÓ 1F1. O rebentamento provocou dois mortos (um Milícia e um Balanta) e quatro feridos às NT. O In sofreu baixas prováveis. A Operação terminou em 19JUL tendo ainda sido levantada mais uma mina A/P.
- Em 22JUL69, dois GComb. da CCaç. 2589, um GComb. da CCaç. 2588 e Pel. Mil. 155 escoltam entre NHACRA -MANSOA - NAMEDÃO - MANSOA - NHACRA, uma coluna de reabastecimento a OLOSSATO.
- Em 24JUL69, notícia B-2 refere que o In do MORÉS, preocupado com a insegurança que as NT estão a causar, prejudicando as culturas, destruindo as habitações e dificultando as trocas comerciais, pretende levar a efeito acções sobre MANSOA, mas tem receio das NT e do Gr de Balantas, que, ficando todas as noites fora do Quartel, lhe podem cortar a retirada. Pediu auxílio à Base de QUERÉ, que terá respondido negativamente, pelo que pediu a intervenção do Grupo de Comandos de SAMBUIÁ (Grupo de LUCIO SOARES).
- Em 252050JUL69, um pequeno grupo In flagelou a guarnição de Fortim da Pista de Aviação de MANSOA, durante 10 minutos, com Morteiro 82, LGr Fog. E Armas automáticas, causando 9 feridos na população de MANSOA.
Esta flagelação serviu de diversão ao ataque principal do In, dirigido sobre a tabanca de CUSSANÁ (Gr de Balantas), em que utilizou Canhão S/R, Morteiro 82 e Armas automáticas. A distância a que o In colocou as suas armas, deixando o objectivo fora do alcance das mesmas, não permitiu que a reacção das NT obtivesse resultados concretos e traduziu o receio In de um ataque directo.
Em 27JUL69, Forças da CCaç. 2589 actuando na região de UANQUELIM, provocaram baixas prováveis a um grupo In que se revelou à distância; destruíram duas casas e recuperaram um homem e uma rapariga.
- Na noite de 28JUL, dois GComb. da CCaç. 2588 e Gr Balantas detiveram uma das três sentinelas In que, na bolanha de BENIFO, alertaram o In da presença das NT que pretendiam atravessar aquela bolanha para executarem um Golpe de Mão.
- Em 31JUL69, notícia B-2 refere que o In está a mudar o material que tem no MORÉS para uma outra arrecadação, em cimento, localizada num mato muito fechado sem trilhos de acesso, com receio de que a anterior arrecadação tenha sido localizada por um helicóptero que ali passou em voo muito baixo.
- Em 03AGO69, o In flagelou o Aquartelamento de PORTO GOLE com algumas rajadas de PM, flagelou BISSÁ durante 65 minutos e ENXALÉ durante 50 minutos, com Armas pesadas e ligeiras, provocando alguns danos e baixas nas populações.
- Em 04AGO69, a CCaç. 2588 e um GComb. da CCaç. 2587 iniciam a Operação “CAPIM LIMPO” - nomadização na região LOCHER - CHANGALANA - POLIBAQUE - QUIBIR - tendo sido levantada uma mina A/P na região de POLIBAQUE. A Operação terminou na tarde de 05AGO.
- Em 05AGO69, notícia B-2 refere a presença de muito pessoal In, novo, com armamento novo, na região entre MORÉS e CAMBAJO.
Na madrugada do mesmo dia, Forças da CCaç. 2587, CCaç. 2589 e CArt. 2411, batendo a partir de ENXALÉ, a região da margem esquerda do Rio MALAFO até SINCHÃ CAMISA, detectaram rodados de MP, pegadas e vestígios do grupo In que em 03AGO flagelou ENXALÉ.
- Em - 06AGO69, Forças da CCaç. 2589 em patrulha na região MANSOA 9I1 contactaram um pequeno grupo In ao qual causaram um morto comprovado e outro provável, destruíram duas canoas médias, apreenderam um cantil e um livro de leitura. O In reagiu da outra margem do Rio BRAIA causando dois feridos ligeiros às NT (um Alferes).
- Em 09AGO69, a CCaç. 2588 (a 3 GComb.) escolta uma coluna de 40 carregadores, que de MANSOA, por POLIBAQUE e através da bolanha, faz o remuniciamento urgente da BISSÁ, impossível de outro modo, em tempo oportuno, por indisponibilidade de LDM. O Destacamento de BISSÁ colabora na segurança da coluna, instalando um GComb. da CArt. 2411 na mata de FUNCOR. Apesar das dificuldades, pois a bolanha tinha água com um metro de altura, a Operação, a que foi dado o nome de “FARTURA”, foi coroada de êxito e terminou em 10AGO.
- Em 11AGO69, notícia B-2 refere que o grupo In do QUERÉ pretende atacar e queimar a povoação de INFANDRE, como represália por ser daquela povoação o informador que acompanhou a acção de PARAQUEDISTAS sobre aquela base.
- Em 13AGO69, dois GComb. da CCaç. 2587 nomadizam na região JUGUDUL, QUIBIR e GIMBA.
- Em 14AGO69, após conhecimento de que elementos In haviam raptado 6 rapazes numa das tabancas de BINDORO (o rapto deu-se cerca da meia noite e a população só deu conhecimento às seis da manhã) a guarnição de BINDORO inicia uma batida, detectando e levantando duas minas A/P reforçadas, cada uma, com três quilos de explosivo. Mais tarde dois dos raptados que conseguiram fugir, informaram que, na região de DATE, tinha estado um grupo de 30 In com um Morteiro 82 apontado sobre BINDORO; as NT iniciam nova batida e perdem o rasto do In na região de DATE. Após conhecimento, o comando monta uma Operação, com a CCaç. 2588 (-), um GComb. da CCaç. 2587 e o Pel. Mil. 155, batendo a região MADINA - BINDORO - SARÁ - POLIBAQUE - CUSSANJA, um GComb. de CCaç. 2587 com o Gr Balantas batendo a região DANA - BINDORO - MADINA, e um GComb. da CCaç. 2588 emboscado na região de SE do cruz. CUSSANJA. Seguindo o trilho deixado, concluiu-se que o grupo In viera da região de CHANGALANA.
Já na tarde de 15AGO, as NT são emboscadas na região a N. de POLIBAQUE, sendo feridos dois carregadores que as acompanhavam, um dos quais veio a falecer no Hospital em 17AGO.
- Em 15AGO69, o In deixou pendurado numa arvora, na região de Cruz. INFANDRE, um embrulho em plástico contendo cinco panfletos (todos iguais) do PAIGC, convidando as NT à deserção.
- Em 16AGO69, um grupo In estimado em 20 homens flagelou o Destacamento de INFANDRE durante 5 minutos, utilizando Morteiro 82, LGrFog e Armas automáticas ligeiras, retirando perante a reacção das NT.
- Em 182110AGO69, um grupo In estimado em 60 homens flagelou o Destacamento de INFANDRE durante 20 minutos, utilizando Canhão S/R, Morteiro 82, Armas Automáticas pesadas e ligeiras, causando ferimentos ligeiros em dois elementos da população. O In retirou perante a reacção das NT pelo fogo e manobra, apoiado por tiros de Artilharia, sofrendo baixas (que notícias posteriores cifram em três mortos e cinco feridos). A batida efectuada pelas NT na manhã de 19AGO permitiu avalias da precisão do tiro de reacção e resultou no levantamento de duas minas A/P e na recolha de três granadas A/C, dois carregadores, uma vareta de limpeza de Canhão S/R e vário outro material In.
- Em 19AGO69, dois GComb. da CCaç. 2588 e Gr Balantas executam um Golpe de Mão na região de CUBONGE, apreendendo uma espingarda Mauser, uma embalagem de granada de Canhão S/R, abatendo cinco homens e duas mulheres, provocando vários feridos não confirmados e queimando quatro casas.
- Em 20AGO69, o In flagela o Destacamento de BISSÁ (CArt. 2411). A reacção das NT foi apoiada por tiro de Artilharia executado por uma boca de fogo que se deslocou de MANSOA para o Cruz. CUSSANJA. A batida realizada na manhã do dia seguinte permitiu localizar o corpo de um In e recolher uma Metralhadora ligeira e outro material.
- Em 21AGO69, dois GComb. da CCaç. 2587 executam uma batida na região BINDORO - DATE - QUIBIR - BARÁ, verificando vestígios de presença de um grupo In a S. de QUIBIR.
- Em 22AGO69, uma coluna auto do BCaç. 2851, em trânsito de MANSABÁ para MANSOA, foi flagelada com tiros de Armas automáticas na estrada entre CUTIA e SANSANTO.
Notícia F-2 de hoje, refere que na reacção das NT ao ataque a INFANDRE no dia 18AGO, o In sofreu três feridos graves que vieram a falecer horas depois. Notícias anteriores referiam já que o In sofrera 3 feridos graves e 5 ligeiros.
- Em 23AGO69, um GComb. da CCaç. 2589 com elementos da auto defesa de INFANDRE, emboscado na região a L. de INSONTÂO, detecta um grupo In ao qual provoca um morto, feridos prováveis e, aprende uma Metralhadora ligeira (DEGTYAREV DP), UMA Pistola Metralhadora (PPSH) documentos e material diverso.
- Em 24AGO69, dois GComb. da CCaç. 2589 e Gr Balantas, patrulham a região LORÉ - DAMÉ - INSONTÃO.
- Em 25AGO69, dois GComb. da CCaç. 2588 montam uma emboscada na região a N. de POLIBAQUE, sem resultados.
- Em 26AGO69, dos GComb. da CCaç. 2589, Pelo. Mil. 155 e duas AML fornecem escolta a uma coluna de reabastecimento a BISSORÃ e OLOSSATO, entre NHACRA - MANSOA - NAMEDÃO - MANSOA - NHACRA; durante a acção foram recuperadas duas mulheres.
No mesmo dia, um GComb. da CCaç. 2589 e Gr Balantas executam um Golpe de Mão na região de CUBONGE e destoem três casas recém abandonadas.
Ainda no mesmo dia, tem início a Operação “FOGARÉU”, em que dois GComb. da CCaç. 2588 e o Gr Balantas patrulham e emboscam a região a N. de POLIBAQUE. A Operação vem a terminar na tarde de 28AGO, sem resultados.
- Em 28 AGO69, notícia F-6 refere a possibilidade de actuação de um grupo In na região de BINDORO nos próximos dias.
Um GComb. de CCaç. 2587 patrulha a região BINDORO - DATE
- Em 29AGO69, um GComb. da CCaç. 2587 patrulha a estrada BINDORO - JUGUDUL; um GComb. de CCaç. 2588 com o Gr Balantas que, de noite estivera emboscado na região a SE. do Cruz. CUSSANJA, patrulha a região de POLIBAQUE visando a intercepção de qualquer movimento In sobre o BINDORO.
Na noite de 29/30AGO69, dois GComb. da CCaç. 2588 montam uma emboscada, e de manhã patrulham, a região de POLIBAQUE.
- Em 30AGO69, pelas 22H00, um grupo In estimado em 40 elementos ataca o Aquartelamento do BINDORO com LGrFog e Armas automáticas ligeiras e pesadas, sem consequências, mas com nítida colaboração da população nativa. O Gr Balantas que se encontrava emboscado na região do Cruz. CUSSANJA tenta a intercepção do In, deslocando a emboscada para a região de POLIBAQUE, sem resultados positivos, uma vez que o In retirou pela bolanha a S. do POLIBAQUE, como se constatou pela manhã.
- A par da actividade descrita, diariamente foram patrulhadas e/ou emboscadas as regiões de SANSANTO - MENTEFA - CAMBANÇAS de FALAN 8RIO BRAIA) e a região do Cruz. CUSSANJA, missões em que muitas vezes foram empenhados os Pelotões de Milícias nº 155 e 156 e o Gr Balantas.
- Igualmente, durante o período, as guarnições dos vários Destacamentos exerceram actividades operacional ajustada às suas Zona de Acção, a par de uma acção psicológica adequada e compatível com os meios disponíveis. Desta, salienta-se o ataque ao incêndio fortuito que reduziu a cinzas 70 casas (o seu recheio) da tabanca de INFANDRE, e o auxílio económico prestado posteriormente quer em géneros, quer em transporte doe materiais para a reconstrução.
terça-feira, 17 de março de 2009
NOTÍCIAS

2009-03-16
Zamora Induta é um dos mais destacados jovens intelectuais militares, que se notabilizou durante o conflito político-militar de 7 de Junho de 1998, altura em que foi porta-voz da Junta Militar que, após onze meses de guerra, derrubou «Nino» Vieira. Desde então, José Zamora Induta, capitão-de-mar e guerra da unidade da Armada guineense, sempre ocupou funções de destaque na hierarquia militar. Foi director da Cooperação Militar do Ministério da Defesa durante vários anos, função que abandonou depois do assassinato do antigo Chefe de Estado-Maior General das Forças, Verissímo Correira Seabra, em 2004 tendo, a partir daí, ficado à margem das estruturas militares. José Zamora Induta voltaria a exercer funções depois de José Américo Bubo Na Tchutu, Chefe de Estado Maior Armada, ter fugido do país, acusado de tentativa de golpe de Estado. Bubo Na Tchutu encontra-se exilado na Gâmbia desde Agosto de 2008. Zamora Induta tem 43 anos e ocupava até aqui, as funções de Adjunto-Chefe de Estado-Maior da Armada. Em 2008, antes da guerra civil, editou um livro sobre a Marinha Nacional. O novo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, substituirá o Tenente-General, Baptista Tagme Na Wayé, assassinado no dia 1 de Março, nas instalações do Estado-Maior. Zamora Induta, tem pela frente a missão imediata de acalmar e reunificar as Forças Armadas, que apresenta muitos conflitos internos, devido aos vários casos de assassinatos registados, sobretudo nos últimos dez anos. segunda-feira, 16 de março de 2009
NOTÍCIAS

Histórias de vidas portuguesas num pobre paraíso
Chegaram há muitos anos e resistiram a todos os conflitos nesta antiga colónia portuguesa. Aconteça o que acontecer, nada os fará regressar a Portugal. Insurgem-se até contra a imagem exterior da terra que adoptaram. Para estes portugueses, a Guiné-Bissau, país entre os 10 mais pobres do Mundo, é um pedaço do paraíso na Terra.
São os reis das esplanadas de Bissau. No Kallistes, Baiana, Creoulo, ou na Padeira, restaurante onde se sentem confortados pela presença da dona Lurdes, uma ribatejana que decidiu trocar a vida pacata que tinha em Torres Vedras por uma aventura em Guiné-Bissau, as conversas dominantes são em português, com sotaques do Minho ao Algarve. O mesmo sucede no Maria do Rio, onde predomina a simpatia da proprietária, uma alentejana que emprestou o nome ao restaurante. Também aqui, os portugueses vivem na 'santa paz do Senhor' e apenas a instabilidade política que tarda em largar o país de Amílcar Cabral vai criando sobressaltos nesta pequena comunidade de 2500 pessoas.
A maioria chegou atraída por projectos do Governo português e, sobretudo, das Nações Unidas ou de organizações não governamentais (ONG), que se comprometeram a levar por diante o desenvolvimento de um país que não consegue libertar-se sozinho de vários constrangimentos sociais e económicos. Mas, se este grupo de novos emigrantes ainda está em fase de adaptação a uma nova mentalidade – a guineense – outros, chegados há décadas, estão integrados. Não há nada que os faça pensar no regresso.
Francelina Nunes, 64 anos, deixou Góis, em Coimbra, em 1964, com apenas 19 anos, para juntar-se ao marido, repetindo um trajecto iniciado pelo sogro, Gentil Nunes, e o irmão, Artur, nos primeiros anos do século XX. Em 1920, depois de trabalharem na mais famosa empresa do País naqueles anos, a Casa Gouveia, conseguiram juntar um pé-de--meia que lhes permitisse criar uma empresa. Assim nasceu a Nunes & Irmão, uma imagem de marca da Guiné com rosto luso. A residencial Coimbra é a face mais visível deste projecto empresarial, com 86 anos de vida. "Somos a terceira geração da família à frente dos negócios", diz Francelina Nunes, muito longe de se arrepender de, há 44 anos, ter deixado Portugal. "Foi fácil gostar da Guiné porque, quando cheguei, Bissau era uma cidade viva e o clima era óptimo. Nestes anos todos, a única tragédia foi a guerra de 1998, entre Nino Vieira e Ansumane Mané. A guerra colonial era feita longe daqui, no campo, esta aconteceu mesmo na cidade. E foi horrível."
Francelina surpreendeu-se com a sua própria coragem, entre os escombros de Bissau, quando empreendeu acções merecedoras da condecoração do então Presidente da República, Jorge Sampaio: "Tivemos muita gente refugiada em nossa casa e, talvez por isso, o Presidente tenha decidido condecorar-me. Se nunca passámos fome foi porque tivemos ajuda humanitária. As organizações sabiam que havia muita gente aqui e ajudavam-nos."
Habituada a ver portugueses chegarem a Bissau, Francelina garante que há uma excelente relação entre os nacionais e os forasteiros. "Quase todos os portugueses que vêm para cá, fazem-no no âmbito de projectos e chegam com vontade de ajudar este povo. Converso com muitos, que se hospedam no nosso hotel, e nunca vi nenhum muito contrariado por aqui estar. A verdade é que também não se metem na vida política local."
Francelina diz que a imagem que a comunidade internacional tem da Guiné-Bissau é distorcida: "Sabemos que isto não é um mar de rosas, mas passam imagens tristes do país. Mesmo na Europa, a vida não está fácil. Se um europeu não tiver um bom ordenado e uma vidinha organizada, também passa por dificuldades. Bissau enfrenta problemas com a luz e a água, mas em matéria de alimentação, móveis e bens de primeira necessidade, não falta nada. Não se formam filas em lado nenhum, tudo pode ser comprado. A Guiné não é um país pobre. Pobres são aqueles que nem uma folhinha verde têm."
Francelina não pára o novelo cor-de--rosa que desenrola sobre o país de adopção. "Pode haver um ou outro roubo de telemóvel, mas aqui não acontece nada de especial. O problema aqui é a instabilidade política. Há sempre um golpe ou outro problema parecido e isso contribui para que os brancos sintam medo."
O amor de Francelina Nunes pela Guiné é secundado por Alexandre 'Xia' Nunes, 40 anos, um dos dois filhos de Francelina e extremamente popular na cidade. Tanto ele como o irmão, Miguel, 44 anos, nasceram na Guiné-Bissau, embora os estudos tenham sido feitos em Portugal. Em 1990 optaram pelo país de origem. "Estudei em Coimbra até ao 2.º ano de Informática, mas decidi regressar. Durante 12 anos de escolaridade, estudei sempre com a ideia de voltar à Guiné e não estou nada arrependido. A vida na Europa é muito cansativa, há demasiado stress. Tenho lá muitos amigos e percebo que a vida deles não é nada fácil." 'Xia' defende que a Guiné é um país de oportunidades, à espera da estabilidade política.
"Em Portugal pensam que isto é o fim do mundo, é uma ideia transmitida às pessoas que não corresponde à realidade. Não devem ser as coisas fúteis, como cinemas e centros comerciais, motivos de escolha de uma terra."
Na opinião deste luso-descendente, os guineenses são os mais hospitaleiros entre todos os naturais dos países africanos de expressão portuguesa. Só a instabilidade política trava o arranque definitivo do desenvolvimento do país. "Cada vez que há uma situação como esta, que redundou nos assassínios de Nino Vieira e Tagmé na Waié [no início deste mês], os investimentos estrangeiros deixam de ser feitos e volta tudo à estaca zero. É chato um governo estabelecer contratos com a Guiné-Bissau e de repente cair tudo por terra porque houve uma mudança de dirigentes, em apenas três ou quatro meses. Assim é difícil, mas acredito que a Guiné-Bissau tem condições para evoluir."
'Xia' Nunes reconhece, no entanto, que há dois pólos de desenvolvimento que devem merecer atenção especial, para atrair estrangeiros: "O principal problema é a falta de escolas e hospitais. Qualquer pessoa que venha trabalhar para aqui quer ter os filhos consigo. Tem de haver escolas e serem complementadas com uma boa política de saúde. Não há necessidade de, por tudo e por nada, às vezes coisas mínimas, se ter de transportar um doente para Dakar ou Lisboa. Por que razão hei-de estar aqui e ter os filhos em Coimbra?"
A história de Vítor Seabra, 68 anos, que deixou a Anadia há 46 anos rumo à Guiné, então colónia portuguesa, não é muito diferente da da família Nunes. Chegou e foi ficando. "Nunca me arrependi, mas sou uma das pessoas mais prejudicadas com o conflito militar de 1998." Vítor Seabra sabe do
que fala. Empresário na área da limpeza, era encarregado do saneamento de quase toda a cidade de Bissau, instalações das Nações Unidas e hotéis. Durante a guerra roubaram-lhe camiões e, depois do conflito, os governos anteriores ao de Carlos Gomes Júnior nunca acertaram contas com ele. Mas não desanima: "À excepção dos anos que se seguiram ao conflito de 1998, vivi sempre em situação de paz e tranquilidade." Vítor Seabra jura que "se não fossem estes conflitos, a Guiné-Bissau seria um paraíso".






